Da Geral

Lembranças e depoimentos feitos por um apaixonado direto da Geral! Comentários sobre futebol e derivados.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Somos Tri

Há muito tempo que quero escrever sobre isso, mas foi a curiosidade do FERREAVOX que me fez sair da zona de conforto (diga-se poltrona) e vir escrever essas linhas.

A rivalidade Grenal já produziu muita festa bonita e muita briga de faca. Já se fez várias cornetas inteligentes e demasiadas piadas grosseiras. Já ri com o Kenny Braga dizendo que o Inter perderia pro Barcelona e chorei abraçado com o Sant'ana que afirmava que o Ronaldinho entregaria aquele jogo.
A rivalidade Grenal já dividiu famílias, empresas, bairros e cidades. Ainda dividirá a província. Já houve colorado secando a seleção do Felipão e gremista secando a do Dunga (sabemos quem venceu, hehe). Mas tem algo que vem da rivalidade Grenal, e que muita gente não se dá conta. Reza a lenda que a gíria TRI, tão cara as gaúchos, vem dessa rivalidade, lá dos anos 70.
Na época, o Grêmio teve seu melhor jogador convocado para a seleção brasileira, que venceu a copa do México. A seleção contava ainda com Jairzinho, Carlos Alberto Torres, Gersón, Tostão, Rivelino e Pelé, entre outros. Nunca um jogador em atividade no Rio Grande tinha sido campeão do mundo. Assim, Everaldo foi reverenciado por essas bandas, desfilando em carro de bombeiro e ganhando uma estrela só pra ele na bandeira do Imortal.

Era tanta festa no sul, que parecia que o Grêmio tinha sido campeão. Assim, os gremistas se consideravam campeões do mundo, ou melhor, Tri-Campeões.
Na velha rivalidade, quando um colorado se gabava de seu time, o gremista já gritava: eu sou TRI, em alusão ao título conquistado por Everaldo.
Bem, isso aconteceu em 1970, e durou até 1979, quando o Inter conquistou o tricampeonato nacional, sendo o último de forma invicta, quando os colorados também passaram a se considerarem TRI, pois eram tricampeões brasileiros.

Da rivalidade Grenal (e das conquistas do Everaldo e do Inter) nasceu a expressão "TRI", usada pelos gaúchos para superdimensionar algo ou alguma característica. Não basta ser legal, tem que ser tri-legal. Não basta ser gremista, tem que ser tri-apaixonado pelo Grêmio. Não basta ser campeão, tem que ser Tricampeão.
Assim, toda a pessoa (ou feito) que seja legal é considerada TRI.
Tal qual o Grêmio e o Inter.

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terça-feira, abril 06, 2010

Era inveja...

O texto abaixo é de autoria da linda Maitê Proença, e foi publicado no site que julgo ser da prórpia atriz, seção de crônicas. Demonstra que mulher entende, sim de futebol, apenas não admite para nã ter que dar razão aos homens. Ei-lo.



"Era inveja

No Brasil, três coisas são indiscutivelmente democráticas. A praia, que debaixo de um sol junta madame e funkeira trajadas no mesmo uniforme. O futebol, que une o ladrão e o padre numa imensa fraternidade. E o trânsito, que bota o Zé do Chevette e João do Jaguar lado a lado, paralisados pela mesma encrenca. Das três brasilidades, o futebol é a que mais me intriga.
Tenho um namorado que ama a bola. É uma pessoa cheia de virtudes, mas, se há uma constância em seu caráter, esta é a impontualidade. Não consegue chegar na hora, o mundo o atrapalha, a menos é claro no caso do futebol.
Não falo aqui daquele jogo no estádio com hora oficial para começar, refiro-me à pelada, ao racha, àquele bate-bola entre amigos, que no caso aqui de casa acontece três vezes por semana. O campo é longe, uma viagem, o sol a pino - não importa. Dia do compromisso logo cedo o moço fica ansioso, não pode atrasar e não há imprevisto que o segure. Nesses dias meu amor é um britânico!

Sábado desses resolvi acompanhá-lo. Os companheiros de partida, esbeltos desportistas, não gostaram nadinha, mas, gentis, fizeram que sim. Aquilo não é lugar de mulher, eu já devia saber. Para compensar o mal-estar, começa o jogo e eu bato muita palma, exagero o entusiasmo, assovio e tanto faço que o dono do campo a quem eu bajulava escancaradamente sentiu-se na obrigação de me dedicar um gol. Segue o embate com altos e baixos, a coisa aquece e pimba... um golaço, aquele chutão do meio do campo para dentro da rede à Roberto Carlos. As más-línguas desmerecendo o artilheiro dizem que o momento é histórico e não se repetirá - não acredito, foi jogada de mestre; vi e guardarei na memória. Continua a partida com bons momentos, outros nem tanto, uma contusão aqui, uma falta ali, um corpo caído no chão.
De repente me bate uma estranheza e vou percebendo que acima da bola, das jogadas, do corre para lá e para cá, o que mais se via, na verdade, eram discussões, ofensas, xingamentos e uma roubalheira de fazer corar um palmito. A coisa chegou a um ponto em que tive a certeza de que terminado aquilo os adversários não voltariam a se falar. Acaba o jogo. Entre vitórias e desilusões, corre-se para o vestiário e devo dizer que nem na feira fala-se tão alto e ao mesmo tempo quanto num banheiro cheio de homens; eu não estava dentro, mas nem precisava...

Fiquei quietinha do lado de fora esperando meu namorado, que, pela delonga, tomava um banho de Cleópatra. Assim, pude observar bem os outros rapazes que sorridentes e limpinhos iam saindo do vestiário qual amigos de infância.
Aqueles mesmos que há pouco se juravam de morte agora pavoneavam-se uns para os outros aos tapinhas nas costas. Havia ali cantores-compositores, um sapateiro, o editor de um jornal, um empresário da música, atores, um jogador aposentado, dois médicos e alguns moços das redondezas empobrecidas cuja competência em campo desequilibrara o jogo - tudo adversário de sangue na hora da bola e amigo do peito na saída para o chope. Na pelada não há rancores, o que se passa em campo fica no campo. Nem pudores, ali são todos craques - o vírus da imodéstia ataca democraticamente. Uma beleza!
Fui-me embora com um vazio a futucar o espírito. O que nós, mulheres, temos de parecido, o shopping, o salão? Nem chegam perto. Não pode xingar, espernear, soltar os sapos da garganta - além do que, num e noutro, o máximo de exercício que se faz é com a língua na futrica da vida alheia? muito chato. Não havia como negar, o brinquedo dos rapazes é divertido como só, e meu vazio era de inveja.
Nós, mulheres, não temos nada que se compare!"

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segunda-feira, outubro 12, 2009

Talismãs e Esconjuros

Dia desses, catanto notícias do nosso Grêmio por aí para incrementar o blog, andando de link em link, cheguei nesses maravilhoso texto de Eduardo Galeano, publicado por Juliana de Brito.

Então aqui vai mais uma dica de literatura futebolística: Futebol ao Sol e à Sombra, de Eduardo Galeano.



Talismãs e Esconjuros

"Muitos jogadores entram em campo com o é direito e fazendo o sinal da cruz. Também há os que vão direto ao arco vazio e fazem um gol, ou beijam as traves. Outros tocam a grama e levam a mão aos lábios.
Com freqüência se vê que o jogador usa medalhinha no pescoço e, presa ao pulso, alguma fita de proteção mágica. Se bate um pênalti que sai meio torto, é porque alguém cuspiu na bola. Se desperdiça um gol feito, é porque algum bruxo fechou o arco inimigo. Se perdeu a partida, é porque deu a camisa da última vitória.
O arqueiro argentino Amadeo Carrizo estava há oito partidas com sua meta invicta, graças aos poderes de um gorro que usava ao sol e à sombra. Aquele gorro exorcizava os demônios do gol. Uma tarde, Ángel Clemente Rojas, jogador do Boca Juniors , roubo-lhe o gorro. Carrizo, despojado de seu talismã, tomou dois gols, e o River perdeu a partida.
Um protagonista do futebol espanhol, Pablo Hernández Coronado, contou que quando o Real Madri ampliou seu campo, passou seis anos sem ganhar o campeonato, até que a maldição foi vencida por um torcedor que enterrou uma cabeça de alho no centro do gramado. O célebre atacante do Barcelona, Luis Suarez, não acreditava em maldições, mas ainda assim sabia que ia fazer gols cada vez que derramava vinho enquanto comia.
Para invocar os espíritos malignos da derrota, os torcedores jogam sal no campo inimigo. Para espantá-los, semeiam seu próprio campo com punhados de grãos de trigo ou arroz. Outros acendem velas, oferecem aguardente à terra ou jogam flores no mar. Há torcedores que suplicam proteção a Jesus de Nazaré e às almas benditas que morreram queimadas, afogadas ou perdidas, e em vários lugares se comprovou que as lanças de São Jorge e seu gêmeo africano Ogum são muito eficazes contra o dragão do mal olhado.
As gentilezas, por sua vez, devem ser agradecidas. Os torcedores favoritos pelos deuses sobem de joelhos as encostas de altas montanhas, envoltos na bandeira do time, ou passam o resto de seus dias murmurando o milhão de rosários que juraram rezar. Quando o Botafogo foi campeão em 1957, Didi saiu de campo sem passar pelo vestiário e assim, com seu uniforme de futebol, pagou a promessa que tinha feito ao seu santo padroeiro: atravessou a pé a cidade do Rio de Janeiro, de ponta a ponta.
Mas as divindades nem sempre dispõem do tempo necessário para vir em socorro dos jogadores atormentados pela desgraça. A seleção do México tinha chegado ao Mundial de 30 abatida por prognósticos pessimistas. Na véspera da partida contra a França, o treinador mexicano, Juan Luqué de Serrallonga, dirigiu uma mensagem de ânimo aos jogadores reunidos em seu hotel de Montividéu: garantiu-lhes que a Virgem de Guadalupe estava rezando por elews lá na pátria, morro de Tepeyac.
O treinador não estava bem informado sobre as múltiplas atividades da Virgem. A França meteu-lhes quatro gols e o México foi o lanterninha do campeonato."

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sábado, agosto 05, 2006

Dicas de Literatura

Duas boas dicas de livros sobre futebol.

"O futebol levado a riso", do pensador Rubem Alves. Formato quase de bolso, 69 páginas, baratinho, da Verus Editora, em que se mistura o futebol com a geometria, infância, política, religião, poesia, sadismo, com quase tudo.

"11 histórias do futebol", da Nova Alexandria, 142 páginas. Com contos que vão desde o futebol de botão ao dos gramados. Na verdade só um sobre o primeiro, todos os demais sobre o que rola nas Copas do Mundo ou na várzea.

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