Da Geral

Lembranças e depoimentos feitos por um apaixonado direto da Geral! Comentários sobre futebol e derivados.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Iura, o passarinho

Os dois textoa abaiso são uma breve homenagem ao "maior gremista que já existiu"

Júlio Titow de nascimento. Iura de alcunha. Sobrenome: Grêmio. Portoalegrense como nós. Parabéns, Iura, por mais esta data.

Texto retirado do site Finalsports, por Roberto Mosmann


Iura, o passarinho.

Gosto de escrever minhas memórias sobre os "Deuses da Raça Gremista" (talvez, o maior deles tenha sido Júlio Titov, O Iura!) e também sobre as histórias que vi ou ouvi de gente próxima, do nosso Grêmio. Tenho feito isso nos textos dos "findis". São depoimentos pessoais. Ah! Aos (poucos e anônimos) colorados que gostam de compartilhar meus textos para "tentar me detonar", só uma correção: não sou um escritor gremista. Sou um gremista que escreve. É diferente. Não há pretensão literária em meus textos. Só emocionais. No resto, tudo bem...
Iura foi um caso raro de jogador que saiu direto da várzea para os profissionais de um grande clube. Até os 19 anos, jogava no Itapeva, da Vila Floresta/POA. Em 1972, vi a estréia de Iura no Grêmio. Foi pelo Campeonato Nacional, contra o Palmeiras, no Olímpico. Não um Palmeiras qualquer, mas A ACADEMIA DO PALMEIRAS: de Ademir da Guia, Leivinha, César, Luis Pereira, Leão & Cia. Iura entrou no segundo tempo, fez o gol da vitória e não saiu mais do time.
Iura era um jogador moderno até para os dias de hoje. Alto, magro (franzino até, o apelido era "Passarinho"), tinha um pulmão e uma vitalidade impressionantes. Era meia-atacante, mas defendia, armava e atacava com igual intensidade. Ah! E fazia gols. Muitos gols. Valeria uma fortuna para a Europa hoje.
E o bom é que Iura era gremistão, chorava pelo Grêmio. Sua característica com a bola era seguir em linha reta em direção ao gol (tipo Kaká). Não tinha essa de ficar dando passezinho para o lado. Só que um jogador vertical assim tende a errar mais. Como eram épocas em que o Inter tinha um timaço e ganhava tudo, a torcida gremista começou a pegar o pé de Iura. E até a vaiá-lo. E ele, claro, sofria com isso.
Até que, num Gre-Nal de 1975, aconteceu um lance que mudaria a trajetória de Iura no Grêmio. Passou de maldito a ídolo e símbolo da raça gremista. O volante do Inter era um cara extremamente forte: Caçapava. Junto com Falcão e Carpegiani, mandava no meio-campo. Seria um meio-campo pra qualquer time do mundo. Pois bem, o tal Caçapava já NASCEU lendário como o marcador mais duro do futebol brasileiro. Muita gente boa tirou o pé pra não dividir com Caçapava. Era risco de vida! Justiça seja feita: era um baita volante! Sabia jogar futebol também. Mas veio o tal Gre-Nal. O jogo estava duro, como costumam ser todos os Gre-Nais. E de repente, uma bola fica solta no meio-campo. Dois jogadores partem em direção a ela. Iura pelo Grêmio e Caçapava pelo Inter. Nenhum dos dois era de "arregar", mas a diferença física era brutal. E dividiram. A prensada que deram na bola parecia uma colisão de automóvel. Quando todos levantaram os olhos para ver o que tinha sobrado do Passarinho e, bah, surpresa: Iúra corria em pé, solto, rápido, levando o Grêmio para o ataque. No campo, inerte, jazia o gladiador Caçapava. A consagração foi quando entrou a maca para retirá-lo, com contratura muscular. Daquele dia em diante, Iura nunca mais foi vaiado. Pelo contrário: foi muito, muito aplaudido.
Um dia, ouvi Iura explicar o lance e dizer: "Caçapava era muito mais forte do que eu. Mas ele não sentia pelo Inter a mesma vontade de vencer que eu tinha pelo Grêmio. No lance, venceu a minha vontade!". Vontade de vencer pelo Grêmio! Jogadores com este espírito é que o Grêmio precisa!
Muitos preferem lembrar outro Gre-Nal em que Falcão deu um chapéu no Iura e (claro!) foi "levantado" por este. Com a "catega" dos grandes craques, Falcão levantou-se rapidamente e já o fez estendendo o braço e mostrando a bola para Iura. Iura, que se afastava, voltou e, com a "catega" dos Deuses da Raça Gremista, disse: "enfia essa bola no..., Falcão."
Em 1977, Iura marcou o que até hoje é conhecido como o gol mais rápido da história dos Gre-Nais: O GOL DOS 14 SEGUNDOS. Pois é um golaço. Quatorze segundos foi o tempo que Iura, Tadeu Ricci, Eder e André Catimba levaram para tocar a bola com força e rapidez. Desviando-se das porradas coloradas. E Iura, na cara de Manga, encobriu-o aos 14 segundos do primeiro tempo. Um gol de Iura. Um gol com cara de Grêmio! Assisti a este gol atrás da outra goleira e juro que fiquei uns 3 minutos esperando pra ver o replay. Golaço-aço! A gente nem acreditava que tinha acontecido e visto.
Ao final de 1979, com sérios problemas no joelho, Iura saiu do Grêmio e foi para o Criciúma. Em meados de 1980, o Inter o contratou. No dia da coletiva para apresentá-lo, a imprensa e a torcida colorada deram a camiseta do Inter para ele vestir. Ele olhou pensativo, chamou o presidente colorado José Asmuz, pediu desculpas e disse: "Olhe, presidente, me desculpe, mas não vai dar! Não posso trair meu passado". E abandonou o futebol, sem vestir a camisa vermelha!
Hoje, Iura é conselheiro do Grêmio. Não é mais o Passarinho (está enorme). Mas é um Deus da Raça Gremista! Eterno! Este texto é, humildemente, dedicado a ti, Grande Iura! Tua dedicação ao nosso Grêmio me ajudou a suportar melhor os anos de "vacas magras".


Texto de David 'sci' Coimbra Carradine, retirado daqui.

O Velho Ídolo

Um dia, o meu amigo Jorge Barnabé entrou nas arquibancadas de pedra do Olímpico levando o filho pela mão e, antes mesmo de se instalar, viu quem havia tempo queria ver. Deu um puxão no braço do menino:
- Filho, aquele lá é o Iúra! O Passarinho!
Importante para o Jorge mostrar ao filho quem era Iúra. Ele sempre falava do Iúra, o maior ídolo da sua adolescência, tempo em que se formam os ídolos. Por isso pediu:
- Vai lá falar com ele, filho. Pede um autógrafo.
O menino olhou para o senhor gordo sentado a uns 10 metros de distância e vacilou. O Jorge insistiu:
- Vai! É o Iúra. O Passarinho!
Era até curiosa tanta admiração. Porque Iúra nunca foi um esteta da bola. Bom jogador, mas longe ser um Rivellino, um Zico. Compensava a falta de virtuosismo com empenho. Corria o tempo inteiro, o campo inteiro. Perdia 3 quilos por jogo. Favorecia-o a compleição física. Tratava-se de um magro clássico: alto, pernas longas, ombros estreitos. Donde o apelido de Passarinho.
- É o maior gremista que já existiu! - disse o Jorge, já empurrando suavemente as costas do menino, que ainda hesitava.
De fato, o que fazia o Iúra entrar nas chuteiras a cada domingo era o amor pelo clube, manifestado, sobretudo, nos Gre-Nais. Era um tempo de Gre-Nais colorados. O Inter havia construído o maior time da sua história, com Falcão, Figueroa e outros torturadores de goleiros inimigos. Iúra lutava contra eles como se estivesse defendendo a pátria da invasão da Wehrmacht.
Em um Gre-Nal de meio de turno, Falcão enfiou-lhe a bola entre as pernas. Iúra não deixou que completasse a janelinha: aplicou uma voadora no volante do Inter. Falcão caiu, levantou e, irônico, colheu a bola do chão e a ofereceu a Iúra. A torcida do Inter uivou de prazer. Vinte minutos depois, Iúra driblou Falcão, que o derrubou. Foi um drible simples, não uma “caneta”. A falta também foi simples, nada parecida com uma voadora. Mas Iúra não perdeu a chance de devolver o sarcasmo: juntou a bola da grama e a estendeu a um Falcão arquejante. Foi a vez de a torcida do Grêmio bramir na arquibancada.
Era assim em todos os Gre-Nais, até que finalmente o Grêmio superou aquele grande Inter, em 1977. Neste ano de redenção, Iúra ingressou na posteridade: marcou o gol mais rápido da história centenária dos Gre-Nais, aos 14 segundos de jogo.
Nos anos 80, Iúra encaminhou o encerramento da carreira. Transferiu-se para o Criciúma, 400 Km ao norte do Olímpico. Foi lá que os dirigentes colorados o procuraram. Ofereceram-lhe uma pequena fortuna para jogar no Inter. Ele aceitou, não havia como não aceitar. Foi ao Beira-Rio. Fez exames médicos. Assinou contrato. Deram-lhe a camisa vermelha para apresentar-se à imprensa. Iúra respirou fundo. Tomou a camisa. Preparou-se para enfiá-la pela cabeça. E parou. O coração bateu fora de compasso. A garganta se lhe fechou. Iúra balbuciou:
- Não consigo botar esta camisa!
E afastou-a de si, e foi-se do Beira-Rio. Pouco tempo depois, abandonou o futebol. Tornou-se conselheiro do Grêmio e vive a dizer que seu sonho é ser presidente do clube.
O Jorge repetiu essa história dezenas de vezes para o filho, e agora ele estava lá: Iúra, o Passarinho. O menino olhou para aquele senhor obeso, sentado atrás do bigode, respirando com a dificuldade dos homens grandes demais. Mal cabia na cadeira, tão redondo estava.
- O Passarinho! - insistia o Jorge, e o menino obedeceu. Avançou em direção ao velho herói da infância do pai. A meio caminho, parou. Olhou por sobre o ombro. O Jorge sorria, incentivando-o com a cabeça: “Vai!”.
Ele foi. A metro e meio de Iúra, estacou, os braços ao longo do corpo. Iúra girou a cabeça, fazendo balançar a papada do pescoço. Sorriu para o menino. E o menino para ele:
- O senhor é que era o Iúra?
Não, o tempo não para nem para os titãs.

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segunda-feira, outubro 19, 2009

La Cele, La Cele, La Celeste!

A foto e o comentário logo abaixo dela foram publicados por Charles Hansen, no Grêmio Copero.
Confesso que me emociona ver o jogador exaltando seu clube preferido na seleção. Seria como ver o Cristiano Ronaldo vestindo a camisa do, do... sei lá, ou o Kaká na seleção com a camisa do Real (ou do Milan, que ele jura amor, ou do São Paulo, ou da Renascer). Pensando bem, muito difícil que isso aconteça nos dias de hoje. Gostaria de ver o Victor ou o Andershow na seleção fazendo justas homenagens ao Grêmio. Algo assim não acontece atualmente por que já não existe identificação com os clubes.
Dia desses o programa Esporte Amador, da RBS, fez uma matéira com a gurizada das categorias de base do S.C.I., nos alojamentos do Beira-Rio. Um dos garotos disse que está há dois anos naquele clube, e sonha em se profissionalizar para poder jogar na Europa. Infelizmente, esse é o pensamento que não sai da cabeça da maioria dos jogadores: Europa, dinheiro, fama.
O Ronaldinho Gaúcho, antes de um jogo pela Copa do Mundo de 2006 entrou em campo com uma fita de cabelo (estilo tiara) mostrando a marca do seu patrocinador. Quando foi tirar a foto oficial com o time, ele estava com outra fita, de outra cor. Ao retornar do intervalo, já usava a terceira faixa diferente, mas sempre com o logo da miltinacional americana em destaque. A grande preocupação dele era mostrar a 'marca', faturando mais ainda para a empresa e para ele. Concentração no jogo, para quê? O Din-din já estava garantido.
Por isso fico emocionado ao saber que "El Capitan", ao comemorar o título uruguaio da Copa Ouro de 81, estava vestindo o manto tricolor. São demonstrações assim que fazem um jogador virar ídolo, e é por isso que De Leon, a mais de 25 anos é exaltado no Estádio Olímpico.

"Recebi do Irineu Staub esse material por e-mail. Não resiti, tive que publicá-lo. Hugo de Léon levantando a taça da Copa Ouro de 1981 - sediada no Uruguai - com a camiseta Tricolor. Salve Hugo De Léon, nosso comandante da primeira libertação da América. " Charles Hansen

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sexta-feira, junho 15, 2007

Dez Verdades Sobre Sandro Goiano

Mail que anda circulando por aí, em várias versões, no estilo Chuck Norris . Esta é do FUTEPOCA.

- O maior feito na carreira de um jogador de futebol não é fazer 1.000 gols. É levar um carrinho do Sandro Goiano e ainda estar vivo para contar.
- Originalmente, o DVD da Batalha dos Aflitos se dividia em duas partes: “Sandro Goiano” e “Os aflitos”.
- No Winning Eleven, você pode controlar mais de 2 mil jogadores do mundo inteiro. Só não pode controlar Sandro Goiano.
- Garrincha tinha as duas pernas perfeitas. Até disputar uma bola com Sandro Goiano.
- A teoria da relatividade diz que Sandro Goiano pode te dar um carrinho ontem.
- Sandro Goiano pediu uma camisa do Grêmio na Inter Sport do Beira-Rio. Foi atendido.
- Sandro Goiano não olha para os dois lados antes de atravessar a rua. Ele simplesmente dá um carrinho nos automóveis para passar.
- Quando Saddam Hussein foi condenado, ele tinha duas opções: enforcamento ou um carrinho do Sandro Goiano. Ele preferiu ser enforcado.
- Sabe por que a lua tem crateras? Sandro Goiano costumava treinar chutes à noite!
- O que passa na cabeça dos adversários durante um jogo contra o Grêmio? A chuteira de Sandro Goiano!

PS.: Quando o filho do Sandro Goiano nasceu, sua esposa falou que precisava de um carrinho. Prestativo, ele quase aleijou o garoto.

Ps2.: Ainda falta muito pra ele ser um 'Dinho'.

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